Regra 50/30/20: Como Dividir o Salário
Por Fabio J Raminhuk, desenvolvedor e fundador do fabramoney · Atualizado em
Tabela: a divisão 50/30/20 para cada renda
Valores sobre a renda líquida (depois de INSS e IRRF — calcule a sua na calculadora de salário líquido):
| Renda líquida | Necessidades (50%) | Desejos (30%) | Poupança (20%) |
|---|---|---|---|
| R$ 1.621,00 | R$ 810,50 | R$ 486,30 | R$ 324,20 |
| R$ 2.500,00 | R$ 1.250,00 | R$ 750,00 | R$ 500,00 |
| R$ 3.500,00 | R$ 1.750,00 | R$ 1.050,00 | R$ 700,00 |
| R$ 5.000,00 | R$ 2.500,00 | R$ 1.500,00 | R$ 1.000,00 |
| R$ 8.000,00 | R$ 4.000,00 | R$ 2.400,00 | R$ 1.600,00 |
| R$ 12.000,00 | R$ 6.000,00 | R$ 3.600,00 | R$ 2.400,00 |
O que entra em cada categoria?
Necessidades (até 50%): aluguel ou prestação, condomínio, luz, água, gás, internet, mercado, transporte para o trabalho, plano de saúde, remédios, mensalidade escolar e o pagamento mínimo de dívidas.
Desejos (até 30%): restaurantes e delivery, streaming e assinaturas, academia, viagens, roupas além do básico, presentes, hobbies — tudo que melhora a vida mas poderia ser cortado num mês apertado.
Poupança e dívidas (20% ou mais): reserva de emergência, investimentos, aportes para objetivos (entrada de imóvel, aposentadoria) e amortização de dívidas além do mínimo. Para saber quanto esses 20% rendem por mês, veja o guia quanto rende a poupança por mês e a calculadora de rendimentos.
Como aplicar a regra na prática, passo a passo
- Descubra sua renda líquida — o que cai na conta, somando salário, renda extra e benefícios em dinheiro.
- Classifique um mês de gastos — registre tudo por 30 dias na planilha financeira gratuita ou no app do FabraMoney, marcando cada item como necessidade, desejo ou poupança.
- Compare com os limites da tabela acima e identifique a categoria estourada — na maioria dos orçamentos, os desejos passam dos 30% sem que a pessoa perceba (delivery e assinaturas são os culpados mais comuns).
- Automatize os 20% — transfira a parte da poupança no dia do pagamento, antes de gastar, e trate o que sobrar como o real orçamento do mês.
Limitações da regra
A regra 50/30/20 é um ponto de partida, não uma lei. Ela funciona pior em rendas baixas (necessidades passam de 50% e o ajuste precisa vir dos desejos), em rendas altas (guardar só 20% é pouco para quem pode mais) e para autônomos com renda variável — nesses casos, aplique os percentuais sobre a média dos últimos meses e revise a cada trimestre. O objetivo permanente é um só: gastar menos do que ganha, todo mês, de forma sustentável.
Fontes
- Elizabeth Warren e Amelia Warren Tyagi, All Your Worth: The Ultimate Lifetime Money Plan (Free Press, 2005) — origem da regra 50/30/20.
- Receita Federal — descontos de IRRF que definem a renda líquida
Perguntas Frequentes
O que é a regra 50/30/20?
A regra 50/30/20 é um método de orçamento que divide a renda líquida mensal em três partes: até 50% para necessidades (moradia, contas, mercado, transporte), 30% para desejos (lazer, assinaturas, compras) e 20% para poupança, investimentos e quitação de dívidas. Foi popularizada pela senadora americana Elizabeth Warren no livro "All Your Worth" (2005).
A regra 50/30/20 usa o salário bruto ou líquido?
Sempre o líquido — o valor que efetivamente cai na conta depois dos descontos de INSS e IRRF. Usar o bruto infla os limites e estoura o orçamento. Para saber seu líquido exato em 2026, use a calculadora de salário líquido CLT do FabraMoney.
O que conta como necessidade e o que conta como desejo?
Necessidade é o que você não consegue cortar sem comprometer a vida: aluguel ou prestação da casa, contas de luz/água/internet, mercado, transporte para o trabalho, saúde e parcelas mínimas de dívidas. Desejo é o que dá para reduzir sem drama: restaurantes e delivery, streaming, compras, viagens. O teste prático: se cancelar amanhã causa só desconforto (e não um problema), é desejo.
E se as minhas necessidades passarem de 50% da renda?
É comum no Brasil, principalmente em rendas mais baixas, onde moradia e alimentação pesam mais. Nesse caso a regra vira bússola, não camisa de força: comprima os desejos (30%) antes de tocar nos 20% de poupança, e trabalhe para reduzir as necessidades estruturais ao longo do tempo — renegociar aluguel, revisar planos e assinaturas, dívidas caras primeiro. Guardar 5% já é melhor que 0%.
Onde devo aplicar os 20% de poupança?
A ordem mais usada: primeiro quitar dívidas caras (cartão e cheque especial, que crescem mais rápido que qualquer investimento rende); depois montar a reserva de emergência de 3 a 6 meses de despesas em aplicação com liquidez diária (Tesouro Selic ou CDB); só então investir para objetivos de longo prazo.